Recebi ontem um email curioso, que mostrava fotos do casamento do Secretário de Educação de Brasília, José Luiz Valente.
Nada demais até aqui, já que nem a políticos é negado o direito a receber Sacramentos, mas o que fazia o queixo cair era a opulência e o mau gosto da cerimônia e a roupa da noiva do sujeito.
A feliz nubente é bonita? Não entrarei nesse mérito, já que tem gosto pra tudo, mas o que era aquele "vestido"!?
Primeiro me deixe explicar o porque do vestido vir acompanhado de aspas como acessório: a esposinha do Secretário preferiu ousar e ao invés do tradicional e batido tecido, resolveu usar tinta para confeccionar seu traje nupcial.
É isso mesmo que você leu (mas como sei que é difícil crer, tem uma foto pra provar), a noiva do político contratou um pintor corporal que aplicou-lhe um desses trabalhos que vemos constantemente nos corpos de Rainhas de Bateria de escolas de samba e assim se "vestiu" pro seu casamento.
Se serve de algum consolo, a noivinha pintou só o tronco, colocando uns pedaços de pano para cobrir as "vergonhas".
Não preciso falar muito sobre a inadequação disto, não é? Mas tem mais um detalhezinho digno de novo rico de novela das 8: as alianças chegaram à cerimônia num helicóptero.
O dado que torna tudo isso mais interessante ainda é que toda essa opulência kitsch provavelmente foi paga com o dinheiro do contribuinte, já que o Sr José Luiz Valente foi acusado pelo dedo-duro Durval Barbosa de integrar a Máfia dos Panetones do Governador José Roberto Arruda, tendo supostamente recebido R$ 60 mil somente da empresa Infoeducacional.
Se comparado com demais escândalos por aí, até que R$ 60 mil saiu em conta por mais esse corrupto, mas o que salta aos olhos mesmo são dois dados que considero importantes.
Primeiro, o nível cultural de nossos políticos. Já tinha falado disso aqui, mas esses episódios sempre me fazem pensar nisso mais uma vez. Nossa "classe política" é composta por uma caterva de gente com aquela inteligência adquirida "na vida" e até mesmo os que possuem educação formal não a utilizam muito.
São médicos, advogados, engenheiros, geógrafos, o escambau, todos dedicados a assaltar os cofres da viúva.
Experimente tomar um anti-ácido e assistir uns 15 minutos da TV Câmara, por exemplo. Você verá que são todos muito espertos pro que não presta, mas que a maioria também não foi apresentada sequer à concordância verbal.
É óbvio que numa baciada dessas teria que vir junto o mau gosto.
A segunda é que eles não tem pudor algum em fazer isso. A certeza de que "no fim tudo dá certo" é tão grande (e exemplos disso não faltam, vejam aí o Zé Dirceu soltinho e dando "consultorias"), que muitos deles fazem questão de esfregar na nossa cara a dinheirama que possuem, ostentando vidas que custam R$ 200 mil por mês com um salário de uns R$ 15 mil.
Não sei a porcentagem de ladrões que infestam a política. Lula já disse que existiam uns "300 picaretas" no Congresso, isso, claro, antes de chegar à presidência e se associar a vários deles, mas talvez o segundo maior pecado desse Secretário de Brasília seja mesmo o de não saber nem como gastar direito o que rouba.
É digno membro de uma "classe política" sem a menor classe pra nada. Isso sim, é uma vergonha dupla.



Porque vejam bem, os países onde o uso dessa vestimenta é obrigatória (ou pelo menos onde essas camisas de força da moda surgiram), são países com climas mais amenos e sensações térmicas bem abaixo dos 50º que fizeram no Rio de Janeiro nestes Janeiro e Fevereiro 2010.



Não sei ao certo, daí a especulação que faço agora, mas parece que nós sentimos atração por aquilo que demanda sacrifícios para atingir.