Em 1986, no meio da euforia causada pelo Plano Cruzado, o PMDB elegeu 22 governadores dos 23 possíveis na época, ganhou maioria no Senado, elegeu nada menos do que 260 deputados federais e mais uma enxurrada de deputados estaduais, todos, quase sem exceção, "candidatos do Sarney".
Logo adiante o Plano Cruzado revelou-se um embuste. O congelamento de preços - que espalhou pelas ruas os folclóricos "Fiscais do Sarney" - e a gastança desenfreada do governo levaram o país a um caos financeiro, político e administrativo.
Bombas de retardo ficaram esperando a eleição de 1986 se decidir para estourar logo depois do pleito e já no ano seguinte a inflação era ainda pior do que antes da alquimia econômica do governo Sarney. Foi criado assim o tão conhecido termo "estelionato eleitoral".
Lula não é Sarney e Dilma não é propriamente um "plano", ainda que seja uma idéia ruim, mas a gastança eleitoral de seu governo e as bombas de retardo que já começaram a estourar logo após as eleições - vide o caso Caixa-Banco Panamericano, o ENEM, a tentativa de retorno da CPMF e o deficit das contas públicas - estão aí para deixar pelo menos uma pulga atrás da orelha de cada brasileiro que pensa e presta: será Dilma o seu Plano Cruzado?
Em final de mandato, Lula não terá nem tempo de ganhar o Troféu Picareta que Sarney mereceu. Logo ele, que falava tanto dos "300 picaretas no Congresso" e elegeu uma renca de igual tamanho agora em 2010 graças a políticas voltadas mais para as urnas do que para o futuro, virando o presidente "mais popular da história destepaiz".
Vai acabar deixando a possível honraria de um picaretaço para a sua sucessora, o Plano Cruzado que ele tirou da cabeça e impôs ao Brasil.


3 comentários:
Oi, Marcus! Eu descobri seu blog por acaso outro dia e imediatamente adicionei aos meus "Favoritos". Muito bom! Eu não conseguia parar de ler! Agora sou leitora assídua. Bem, quanto aos seus dois últimos textos, talvez a sua viagem à Argentina tenha te deixado mais... digamos, decepcionado, pois esses textos estão bem ácidos. Não sou (mais) petista, e concordo em quase tudo com você, mas, sabe, o que mais gosto em seu blog é o humor, e nesse último texto em particular, senti falta disso. Mas eu entendo: é difícil engolir essa sujeira toda sem falar nada. Grande abraço!
O PT nem tem mais moral pra chamar ninguém de picareta.... Até porque os picaretas ou são aliados ou podem vir a ser um dia... E a Dilma, coitada, ela nem tem capacidade de fazer picaretagem sozinha...
Bj
Acredito que estão subestimando a Dilma, não votei nela e ñ a considero a pessoa ideal para estar na presidência. Penso que td vai ficar bem pior do que estamos pensando e creio que ela é mais do que mostra, no mau sentido. Se a idéia era dar 'continuidade' na sacanagem do governo atual, acredito até q o tiro possa sair pela culatra. E a sacanagem possa tomar outros rumos, alcançar mais, ir além. Veremos...
O prob vai ser arrumar a casa qdo essa festa toda acabar.
A política é muito assistencialista e momentânea. Ex.: Bolsa família-> Obriga a criança estar matriculada, cursando a escola, vacinado e c/ consultas médicas em dia. Até aí tb bem... E o tempo livre do moleque? O que ele faz? E a qualidade da educação que ele está recebendo? Uma mer$%##a!
Qual seria a idéia: que esse assistido tentasse não precisar dos 'bolsas' no futuro? Seria isso? Estou errada? Seria um investimento para um país com mais contribuintes e menos assistidos?
Mas com essa educação do 9889º mundo, e com a idéia de que o 'governo' é que tem que dar tudo p/ o povo, os 'bolsas' serão eternos enquanto tiver gente para votar na galera q continua com esse engodo de assistencialismo sópara conseguir o voto.
Os políticos não estão preocupados com o futuro, eles ñ serão eternos.
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